domingo, 28 de outubro de 2012

De guerra e de rumba: primeiras impressões sobre Cartagena


É incrível como conhecer cidades na america latina significa, na maioria das vezes, conhecer os resquícios de guerras, colonização e catequização. Em Cartagena, Colômbia, não é diferente. 
Conhecer Cartagena, pra os operadores de turismo locais, significa visitar o forte, símbolo da busca por proteção aos espanhóis; visitar as igrejas e mosteiros, construídos quando a Colômbia foi 'descoberta' e que ainda exibem o ouro retirado dessas terras; conhecer a cidade murada, para resguardar a vida dos colonizadores espanhóis dos ataques ingleses; encontrar pela cidades diversas esculturas ou obras em homenagem a guerras ou heróis específicos. 
E fico igualmente impressionada com a excitação com a qual os guias contam sobre os túneis subterrâneos para matar inimigos, o poder dos canhões, a dureza das muralhas, as batalhas vencidas, os heróis exaltados, os inimigos assolados. 
A era pre-colombiana, quando aparece (à parte da própria condição do nome, que ainda remete a colombo para nomear essa era) surge apenas nos artesanatos copiados e reproduzidos, feitos com ouro local, com esmeraldas colombianas, com prata andina.
Mas, para além das aulas de história, entre rumbas, salsa, sorrisos e coquetéis, cartagena parece uma simpática cidade caribenha.
Ah, e para se conhecer esses resquícios de guerra, colonização e catequização, vale a pena pegar uma das chivas, típico ônibus/caminhão adaptado para turistas que te leva de maneira divertida a um tour basico, regado de muita rumba e sorvete, para quem curte o dia, ou rumba e coquetéis, para os noturnos. 

Algumas sugestōes e curiosidades sobre cartagena:
- há muitas frutas diferentes por aqui, todas gostosas e refrescantes e que valem s pena. Vendidas nas ruas, nas padarias e nos mercados, estão disponíveis de todas as formas: frescas, inteiras, cortadas, em latas ou garrafas da Del Valle, que já as descobriu
- banho por aqui só se toma frio
- se você acha, ou tem certeza, de ter qualquer propensão à claustrofobia ou a síndrome do pânico, nao entre nos túneis subterrâneos do forte. Eles me fizeram relembrar, infelizmente, as crises que só tinha experimentado nas ladeiras de olinda em pleno carnaval
- assim como nos demais 'países em desenvolvimento' (e diferentemente dos desenvolvidos, como já relatei aqui), na Colômbia existe lei dde prioridades a gestantes, idosos e mães com bebes 
- até agora cartagena nao parece um passeio muito adequado para se fazer com crianças pequenas. A cidade é muito quente e, além das visita aos resquícios da colonização, os outros passeios se resumem a ir às maravilhosas ilhas do entorno que nao possuem, necessariamente, uma boa estrutura para passar o dia com bebês

terça-feira, 24 de abril de 2012

Relatos de uma viagem rumo à Itália

Abaixo vocês vão encontrar alguns relatos sobre a viagem que fiz recentemente à Itália. Longe de ser um guia de viagens, esses relatos se propõem a dar algumas dicas de roteiro, comida e hospedagem além de dicas sobre como viajar com um bebê por aquelas terras. Roteiro da viagem: - Dias 1 a 4: Roma - Dia 5: Nápoles - Dia 6: Pompeia e Hercolano - Dia 7: Sorrento - Dia 8: Ilha de Capri - Dia 9: Costa Amalfitana e Paestum - Dia 10: Bari e Matera - Dia 11: Alberobello - Dia 12: Corato e Região de Scanno - Dia 13: Scanno e Sulmona - Dia 14: Tivoli

Dicas gerais de uma viagem à Itália com bebê

Pela minha experiência, viajar com bebê pela Itália foi relativamente fácil e agradável (dentro do possível de se viajar com um bebê). Seguem abaixo algumas dicas ou relatos: Receptividade: 1. Embora não tenhamos encontrado muitos bebês italianos, as pessoas, de forma geral, foram muito receptivas ao nosso pequeno. Não encontramos olhares repreensivos em hotéis, restaurantes ou pontos turísticos, mesmo sendo, meu pequeno, um bagunceiro e agitador de marca maior. Pelo contrário: em geral as pessoas eram muito simpáticas, mexiam conosco, nos ajudavam e facilitavam no que podiam. Circulação: 1. Circular com um bebê foi relativamente simples também - e olha que cruzamos a bota e andamos vários kilometros. Mas a maioria das cidades tem boas calçadas, com rebaixamento, que permitem caminhar de carrinho. Tirando alguns lugares com muitas subidas ou descidas (costa amalfitana) ou cidades antigas (pompéia), nas demais localidades andar de carrinho foi muito mais fácil que no Brasil! 2. Alugar um carro é sempre a opção mais simples com um bebê, já que podemos circular com montes de sacolas, chegar perto dos pontos turísticos, fugir da chuva, etc. Mas mesmo onde tivemos que circular com transporte público, não tivemos grandes dificuldades - o país é muito mais adaptado a carrinhos e cadeiras de roda do que o nosso. Além disso, nas cidades turísticas costumamos ficar mais "concentrados" em diversas regiões e pontos, bem sinalizados e que permitem deslocamento fácil. Hospedagem: 1. Os hotéis por onde passamos foram bastante acolhedores com o bebê, mas em apenas dois deles encontramos bercinho no quarto. Nos demais, tive que fazer cama compartilhada - o que pode ser bom para alguns e ruim para outros. Uma questão que se mostrou imprescindível foi a presença de carpetes nos quartos dos hotéis (limpos, claro), que permitem à criança circular, engatinhar e até cair sem grandes machucados. 2. Uma alternativa muito bacana para quem viaja com bebê é alugar um apartamento. Além de sair mais barato, na maioria das vezes, essa opção nos permite cozinhar e ter mais estrutura para cuidar de um bebê. Uma boa dica é o site www.airbnb.com Alimentação: 1. Tanto a nossa alimentação como a do bebê ficam um pouco limitadas em viagens assim, a não ser que você alugue um apartamento e possa cozinhar. Caso contrário, o apelo às papinhas prontas costuma ser a saída, nem sempre muito bem aceita pelas mães ou bebês. De qualquer forma, na Itália foi muito fácil encontrar papinhas prontas em supermercados e farmácias, de vários sabores, diferentes marcas e ingredientes. E o preço era igual ou menor ao do Brasil - ou seja, não vale a pena levar as papinhas daqui e ficar carregando peso por lá. 2. No caso de comidas frescas, a opção dos restaurantes não é sempre a mais fácil para os bebês, já que a lógica da refeição italiana (primo piato, secondo piato, etc) limita a variedade de nutrientes que consumimos em uma mesma refeição. Mesmo assim, os pães italianos servidos em todos os restaurantes foram sempre um atrativo para meu pequeno que está com dentes nascendo. Além disso, costumei pedir macarrões que tivessem legumes e não tivessem ingredientes proibidos para as crianças e, entre uma garfada e outra, o pequeno também pode aproveitar. 3. Vale lembrar também que é bem raro encontrarmos frutas frescas nos cafés da manhã de hotel - normalmente são frutas enlatadas e cheias de açúcar. Aqui a dica do supermercado vale muito para poder carregar umas bananas ou maçãs nos passeios. 4. Embora não tenha a ver com alimentação diretamente, vale uma dica importante sobre os restaurantes: não encontrei NENHUM trocador em NENHUM restaurante das várias cidades por onde passeio. As trocas de fraldas, como podem imaginar, viraram um verdadeiro malabarismo nos banheiros, de preferência com a ajuda de 2 ou 3 pessoas para funcionar bem...

A vida numa vila de Roma

A ida à Itália foi motivada pela participação em um congresso internacional, no qual eu e duas queridas amigas tínhamos aprovado um trabalho. Como bem sabíamos, apresentar o trabalho era apenas uma boa desculpa, bem intencionada, de viajar à Itália e estender nossas férias. E foi por isso que decidimos fazer essa viagem, carregando meu pequeno bebê, com 9,5 meses e meus pais que, durante minha participação do congresso, cuidariam do pequeno pelas ruas de Roma. Para facilitar os cuidados com o bebê, decidimos alugar um pequeno apartamento em um site bem bacana que viabiliza aluguel de casas e apês no mundo todo (airbnb.com). O taxi nos levou para uma pequena rua de paralelepípedos atrás da Piazza Campo dei Fiori, em frente a um café que, depois eu descobriria, tinha o melhor cappuccino de toda a região. Estranhamos quando o taxi nos deixou em frente a uma porta de ferro que dava entrada a um muro de tijolos bem antigos. Alguns minutos depois chegou Giuseppe, um rapaz casado com uma sergipana que nos alugara o dito apartamento. Giuseppe abriu a porta de ferro para nos evidenciar, então, uma daquelas antigas vilas italianas, típicas de filmes, em que os apartamentos vão subindo escadas acima, em uma desordem quase que intencional, cheia de gatos, plantas e roupas penduradas. Num estranhamente lindo labirinto de escadas, as casas vão se formando e conformando uma vida comum àqueles moradores. Nosso apartamento era uma pequena porta no andar térreo dessa vila, de frente às bicicletas e à moradia diurna de meia dúzia de gatos. Um pequeno quarto, uma sala acoplada à cozinha e um banheiro. Era tudo o que precisávamos para passar de forma ainda mais mágica aqueles primeiros dias em terras italianas: habitar, mesmo que temporariamente, uma verdadeira vila no centro escondido de roma, entre o pantheon e o bairro judeu.

Dias em Roma: entre o trabalho e o turismo

Os 4 dias que passamos em Roma tiveram que ser divididos entre a participação no congresso e o turismo. No entanto, infelizmente, os organizadores do evento marcaram as atividades para um local bem distante, a quase duas horas do centro, o que nos impedia de ir e vir quando quiséssemos. Tivemos que selecionar o que assistir e, ao mesmo tempo, selecionar o que poderíamos visitar da cidade. E uma das boas formas de conciliar melhor essas escolhas era caminhar o máximo possível pela cidade, para qualquer trajeto que tivéssemos, já que Roma é cheia de boas surpresas a cada esquina (e não é todo dia que você pode cruzar com uma edificação de mais de 2000 anos sem pretensões). Foi assim que conseguimos visitar o Pantheon, a Fontana de Trevi, o muro de Adriano, a Piazza Navona, o bairro judeu, o antigo mercado de peixes, o teatro de marcelo, entre outros pontos lindos dessa cidade tão surpreendente. Outra forma de potencializar nosso passeio era andar num daqueles ônibus circulares que levam os turistas a todos os cantos da cidade de forma rápida e fácil e que podem ser utilizados por todo o dia com entradas e saídas livres. Para quem vai viajar com bebes ou crianças, essa é uma excelente saída, já que não cansa a criança nem nossas costas. Tomamos um desses ônibus para cruzar o Vaticano, o castelo de sant´angelo, o forum, o coliseu (vale aqui uma ressalva de que eu já conhecia todos esses lugares de uma viagem anterior, bem extensa, à cidade. Assim, uma passada mais rápida era suficiente para poder reviver tudo aquilo. Para quem não conhece, separe um dia para visitar o Vaticano - cujo ingresso deve ser comprado com antecedência, outro para visitar o forum e o coliseu. E espere por horas de fila). E, por fim, decidimos investir em um turismo gastronômico que nos permitia curtir a cidade nos horários fora do congresso. E nada como sentar numa tratoria italiana e pedir um dos pratos, curtindo a noite com pessoas queridas. Para quem nunca foi à itália, aqui vale uma dica: diferentemente de nós que classificamos todos os estabelecimentos como "restaurantes", para os italianos há uma categorização que impacta no preço. Assim, prefira as Tratorias aos Restaurantes, já que essas tem comidas mais baratas, enquanto os restaurantes são mais refinados e caros. E, além disso, caso você não coma muito, não caia na tentação de pedir um menu completo, já que para os italianos uma refeição é composta de antepasto (saladas e petiscos), primo piatto (massa ou risotto), secondo piatto (carnes) e sobremesa - todos em porções bem generosas. Para mim, por exemplo, apenas um primo piatto é mais do que suficiente. Para quem vai viajar com bebês, uma dica profana: igrejas podem ser ótimos lugares para uma rápida troca de fraldas! E tanto para quem vai com bebês como com crianças pequenas: levem um carrinho, pois Roma exige grandes e boas caminhadas (e, se possível, algum que possa ser detonado, já que as ruas de paralelepípedos da cidade estragam bem o carrinho).

Rumo ao Sul: Nápoles

Alugamos em Roma um carro para começar a viagem ao sul, com destino a Nápoles. Embora sejam cidades relativamente próximas, o trânsito e a falta de informações de ambas podem fazer o trajeto ser muito demorado. Além disso, Nápoles tem um trânsito infernal, sem regras de trânsito e com ruas que não tem saídas nem escapatórias - um GPS se torna também imprescindível. Por um misto de sorte e planejamento, chegamos à cidade na sexta de noite para passar o final de semana, quando o trânsito é melhor
. Mas por um misto de azar e falta de planejamento, o hotel que tínhamos reservado não nos servia e tivemos que procurar outro. Mesmo com todos os apps do IPad à disposição, tivemos muita dificuldade de encontrar um hotel na cidade (tanto encontrar literalmente pela dificuldade física, como de encontrar vagas pela excesso de turistas). Mas o azar virou uma sorte e ficamos num dos pontos mais bonitos da cidade, no alto do morro no Corso Vittorio Emanuele. O hotel chama-se Britanique, tem ótimo preço, excelente localização, quartos amplos e confortáveis e o que se mostrou imprescindível ao longo da viagem: carpete no chão. E aqui vai uma importante dica para quem viaja com bebês e crianças pequenas: prefira hotéis com carpete no chão (desde que sejam limpos e não mofados, claro), já que as crianças podem andar, engatinhar, brincar, etc. etc. Ficamos duas noites neste hotel, já que Nápoles acaba servindo como ponto de referência para outros importantes passeios na região (como Pompeia e Hercolano, que contarei em outra postagem). Mas conhecer Nápoles também é muito interessante, desde que sejam tomados alguns cuidados: tentar ir no final de semana (para evitar o trânsito infernal), ter um GPS e pedir boas referências (já que a cidade é enorme), ter muita paciência para dirigir ou passear em uma cidade sem regras de trânsito (sério, muito pior do que as piores cidades brasileiras que conheço) e não ter enjoado de comer pizza ou doces (a cidade é realmente uma capital das pizzas de pedaço, maravilhosas, e dos sfoglatellis, indescritíveis!).

Cidades de restos: Pompeia e Hercolano

Desde a infância escutamos falar da história de pompéia e do vesúvio. Não sei quanto a vocês, mas sempre me surpreendeu a ideia de uma cidade que foi "congelada" no tempo por uma erupção vulcânica. E ficava sempre imaginando como seriam aqueles corpos em movimento que tinham sido cobertos pela lava do vulcão. Visitar pompéia sempre foi, portanto, um misto de curiosidade, incredulidade e utopia. Mas estando em Nápoles, tudo se torna excessivamente real, especialmente porque olhando de qualquer lado da cidade, sempre encontramos o Vesúvio, imponente, coberto de névoa, contrastando com o mar, invadindo e imperando por toda a região. Pompeia é uma das cidades à beira do Vesúvio, próxima a Nápoles e que guarda, dentro de um espaço murado e protegido, uma cidade morta pelo vesúvio. E passear por Pompéia é, literalmente, passar o dia caminhando pelos restos de uma cidade morta pelo vulcão e soterrada por suas cinzas durante séculos. Caminhamos entre as ruas da cidade antiga, que chegou a ter 20 mil habitantes, onde vemos os restos do bairro rico, os restos do bairro pobre, os restos das termas, os restos do cemitério, os restos das lojas, dos moinhos e dos templos pagãos. É uma cidade de restos onde devemos caminhar bastante e ativar bem a imaginação para completar os muros que foram derrubados e os tetos que foram soterrados e construir a imagem do que um dia ali existiu. E quanto aos seres humanos e materiais que viraram pedras com a lava em movimento? Estes também são restos, restos de pessoas que decidiram não fugir da cidade quando se percebeu a erupção e que ali morreram intoxicados pelos gases e cujos corpos foram petrificados depois pela lava (menos de 1% dos habitantes ficaram na cidade depois da erupção começar). Cheguei a pensar, inclusive, que se Pompéia fosse nos estados unidos, certamente teriam feito um bondinho para atravessar todas as cidades, ao lado de um parque temático onde poderíamos viver a experiência de fugir de um vulcão. Visitamos Pompéia numa manhã de um dia chuvoso. E logo na entrada percebemos que a visita com bebê, em dia de chuva, não seria nada fácil. Carrinhos não são bem vindos em Pompéia (as ruas são de pedras antigas, sem homogeneidade e por onde é impossível guiar um) e, ao mesmo tempo, as pedras com chuva não facilitam a vida de uma mãe com canguru (tive que andar o passeio todo de mãos dadas com alguém para não desequilibrar com o Chico nas costas). Como a cidade é grande, original e não tem estrutura (coisa que os americanos resolveriam muito bem, rs.), o passeio é longo, não promove boas paradas nem banheiros nem lanchonetes. Assim, com crianças, é melhor selecionar apenas um pedaço para visitar. E, sem crianças, passar antes no banheiro e levar um kit de lanches para poder curtir mais. Ah! E os guias que oferecem serviço a 10 euros na entrada podem também ser uma boa estratégia, já que a sinalização da cidade é muito ruim. Depois de Pompéia decidimos visitar Hercolano, outra cidade da região que também foi morta pela erupção do Vesúvio. E o que vou dizer aqui pode parecer uma ofensa terrível, quase uma profanação à história e ao turismo, mas eu definitivamente gostei mais de Hercolano do que de Pompéia. Hercolano era uma cidade de descanso para os ricos de Pompéia, com cerca de 4 mil habitantes, construída entre uma praia e um penhasco. A cidade tinha pelo menos 3 camadas na vertical, casas sobre casas. Diz a história que quase todos os seus habitantes morreram sem tempo para fugir da erupção (diferentemente de Pompeia) e, como a cidade tinha 15 metros de profundidade até o mar, ela foi toda coberta de cinzas e assim ficou durante muitos séculos. Outra cidade foi construída sobre ela, até que se descobrissem seus restos. Uma parte já foi escavada, enquanto outra parte permanece intacta sobre a cidade atual e suas construções e a visita às escavações nos permite ver como de fato era a cidade, quase original, casa sobre casa, embaixo das edificações modernas. Além das construções mais conservadas, em Herculano podem ser vistos os desenhos e pinturas das paredes, bem guardados por séculos pelas cinzas do vulcão.