segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Receita Awamat - Doces libaneses


Esse fim de semana fomos tomar um café na deliciosa casa dos queridos Fernando Rocha Nogueira e Marina, em Cunha. Chegando lá, Marina estava cozinhando uns bolinhos tradicionais de sua família, chamados de "auemi". Foi uma das coisas mais deliciosas que experimentei nos últimos anos e, hoje, decidi procurar a receita na internet e fazer em casa. Segue aqui a sugestão, super fácil e delicioso! O nome árabe é awamat, eles são como bolinhos de chuva, mas muito, muito mais leves, e cobertos (e recheados) com uma deliciosa calda de limão que escorre da boca assim que mordemos. É divino! Quem quiser a receita, segue abaixo:
- 1 e 1/2 xícara de farinha
- 1/4 colher de açúcar
- 1 e 1/4 xícara de água morna
- 1 colher de fermento para pão (seco)
- 1 pitada de sal

Mistura tudo, deixa crescer aproximadamente 1 hora.

Enquanto isso, preparar a calda:
- 2 xícaras de açúcar
- 1 xícara de água
- 1 limão (metade em rodelas, metade espremido) - sugestão é colocar um pouquinho de água de rosas também

Mistura açúcar com água e mexe até ferver. Quando ferver, jogar metade do limão espremido e as rodelas na calda. Deixar engrossar mais. Desligar e colocar na geladeira para resfriar.

Quando a massa aumentar e a calda estiver fria, encha uma panela com óleo bem quente, faça bolinhas com a colher e jogue a massa para fritar (elas crescem muito, faça bolas pequenas). Tire do óleo, jogue no papel toalha e em seguida (ainda quente) na calda. Deixe alguns minutos na calda e retire. O segredo é jogar o bolinho quente na calda fria, ele se enche de calda e fica delicioso!


terça-feira, 10 de maio de 2016

Passeio por Galápagos

Eu nunca pensei que um dia conheceria Galápagos. Aquele destino estranho, cheio de bichos esquisitos que só existem lá e que inspiraram Darwin a escrever a teoria da evolução era algo tão raro, inalcançável e grandioso como a própria teoria em si. Mas, aproveitando uma estada em Quito, decidi desvendar o curioso mundo estudado por Darwin. E fiquei muito, muito maravilhada. Não dá para passar uma vida sem conhecer Galápagos! É uma viagem fácil, barata, deliciosa e que dá para fazer com ou sem crianças. 

Galápagos é um arquipélago formado por 13 ilhas. Há três ilhas grandes: Santa Cruz, Isabela e São Cristobal. As demais são pequenas. É muito difícil conhecer todas elas em uma só viagem, a não ser que você faça um cruzeiro – mas eles são caríssimos. O que vale mais a pena é escolher duas para ficar permanente e fazer as viagens que forem mais perto a partir delas.

Há duas maneiras de ir a Galápagos: por excursão ou por conta própria. Indico fortemente a segunda. Não só porque custa menos de ¼ (literalmente), mas porque todas as pessoas que encontramos por lá e tinham ido de excursão se arrependeram. Ir a galápagos é muito fácil, não depende de excursão nem de guia. Os passeios são quase todos gratuitos e o transporte, quando necessário, é também facílimo!

Como chegar:
Há voos regulares para Galápagos saindo de Quito ou de Guayaquil (4 por dia, pela Lan/Tam, Avianca e Tame). Eles podem custar 180 dolares, se pesquisar bem e com antecedência (os voos de SP para quito saem perto de 400 dolares). Há dois aeroportos em Galápagos e sua definição impacta no resto da viagem: São Cristobal ou Baltra (este é o mais comum e que usamos).
Descendo em Baltra (ilha onde só tem o aeroporto e nada mais), você tomará um ônibus, da companhia aérea, que te levará a um porto a 10 km de distância. Lá pegará uma balsa e atravessará o mar (só essa vista já vale a viagem!). Demora uns 10 min e custa 0,8 centavos. Daí descerá do outro lado do porto, na ilha de Santa Cruz, onde pegará taxi (18 dolares) ou ônibus (1 dolar) para chegar a Puerto Ayora, a principal cidade do arquipélago e “capital” da ilha de santa cruz. Parece complicado, mas não é! É rápido, fácil e barato e o trajeto já vale muito!!

Onde ficar:
Como disse, você pode pegar um cruzeiro em Puerto Ayora e gastar alguns milhares de dólares para conhecer todas as ilhas. Deve ser lindo. Se não estiver à sua altura, sugiro ficar 3 dias em Puerto Ayora (ilha de Santa Cruz) e mais 2 ou 3 dias na ilha Isabela (a maior do arquipélago e lindíssima!).

Puerto Ayora é uma cidade de pescadores, pequena, com hostals, pequenos hotéis e uns 2 ou 3 hoteis mais luxuosos (dispensáveis). Dá para fazer tudo a pé, inclusive os principais passeios da ilha, ou de barco, saindo do porto no qual também se chega a pé. Os hotéis normais saem entre 30 e 50 dolares o quarto (sem café da manhã), com banheiro privativo e internet. Mas não espere luxo! Isso não combina com galápagos. Isabela tem os mesmos padrões de preço e estadia.

O que fazer:
Estando em Santa Cruz, há um conjunto de passeios que você pode fazer para conhecer os principais lugares, quase todos a pé e gratuitos:
  • ·    Orla: Puerto Ayora é todo organizado em volta da orla do mar, que é feita de pedras, mangues e o mar em si (não há praia de areia aqui). Percorrendo os 2 km de extensão, se passa pelo porto, pelos restaurantes à beira mar e, no caminho, ainda é possível se deparar com lobos marinhos, iguanas e cegonhas que não abrem espaço para nós, pedestres. É na beira mar que estão os restaurantes mais chiques e as lojas de souvenirs. Nenhum deles vale a pena se você quiser economizar.  
  • ·         Estação Charles Darwin: é um parque criado para pesquisas e preservação, além de reprodução de tartarugas e iguanas. É composto pelas áreas de pesquisa, pelo espaço onde as tartarugas ficam protegidas e por algumas pequenas praias paradisíacas. A entrada é gratuita. Fica a 5 minutos a pé da área central. La vale a pena visitar a praia, ver o mar transparente e lindo (cheio de peixes, arraias e caranguejos), visitar as tartarugas gigantes, sua área de reprodução, e algumas iguanas amarelas raras. Também vale a pena ir na praia de pedras onde as iguanas se reproduzem e tomam sol. O passeio dura entre 1 e 2 horas, a depender do tempo de praia. 
  • ·         Tortuga bay: “complexo” de praias maravilhosas que fica ao final da orla, direção contrária da estação Charles Darwin. São 5 minutos a pé para chegar na entrada do parque. Mas de lá serão 30 minutos de caminhada por um bosque muito diferente (caminhada fácil) para chegar à primeira praia, a praia brava, onde é proibido nadar por conta da periculosidade do mar. Mais 15 minutos atravessando a areia (“pulando” iguanas e desviando de cegonhas) e você chegará à praia mansa que é um verdadeiro paraíso. Um piscinão de água transparente, bordeada de mangue e bosque de cactos. Ali há peixes, muitos, de todos os tamanhos possíveis. Pode-se andar 300 metros para dentro da água e ela continua na cintura. Tem aluguel de caiaques para remar entre o mangue. É uma delícia. Dá para passar o dia ou meio período ali.
  • ·         Playa del aleman y las grietas: esse é um passeio que não dá para fazer todo a pé. Demanda pegar um barco-taxi no porto, pagar 1 dolar e atravessar por 5 minutos o mar para chegar do outro lado da costa. Caminhando 10 minutos, chega a playa del aleman. Um lugar calmo, com água completamente transparente, onde há peixes, arraias, muitos pássaros que vem pertinho de você. Água calma, rasa, deliciosa para passar algumas horas. Caminhando mais 15 minutos, você chegará a outro paraíso: las grietas. É um pedaço de mar fechado entre paredões de pedras (como se fosse cânions com água no meio). Água verde, bem profunda mas totalmente transparente. Deslumbrante. Lugar para nadar, mergulhar, pular, brincar. É simplesmente delicioso.
  • ·         Baía tour: é um dos únicos passeios pagos. Custa 25 dolares por 4 horas de barco em lugares imperdíveis, e tem ainda lanchinho e snorkel incluído. O passeio sai do porto Ayora todas as manhãs e tardes e faz um recorrido básico e deslumbrante: primeiro passa perto dos paredões para vermos os pássaros (incluindo o de pata azul); depois vai até a ilha dos lobos marinhos; depois ao canal dos tubarões (sim, eles estão ali aos montes, se digladiando quando o piloto joga todos os chinelos dos turistas – e depois pega um por um); depois vai para uma baía onde fazemos snorkel com dezenas tartarugas gigantes que interagem com você e muitos, muitos peixes (e pode ainda aparecer um tubarão de surpresa); depois uma rápida passeada pela praia dos caranguejos; o tour termina nas grietas, aquelas mesmas que descrevi antes. O piloto é excelente guia e entra com a gente no mar, mostrando os animais, ajudando a interagir com eles, etc.
  • ·         Passeio pela parte alta de puerto ayora: esse é o segundo e último passeio pago em Santa Cruz. Um taxi te leva, por 40 dolares - até 4 pessoas, e ainda te guia pelo passeio. Ele vai para as montanhas de Santa Cruz e faz um recorrido incrível: crateras formadas pela lava, onde se formou um bosque intocado e muito diferente; tuneis vulcânicos por onde andamos (e temos até que nos arrastar no chão em certo trecho); ranchos onde as tartarugas gigantes passam, livres, leves e soltas, 9 meses do ano (os outros 3 ficam à beira mar acasalando e cuidando dos ovos). Passeio lindo, para ver uma natureza que não conhecemos, muito diferente, e ainda tem a vista da praia. Dura 4 horas.
  • ·         Além desses passeios, há vários outros que podem ser comprados para visitar as demais ilhas. Mas, cuidado: a distância mínima entre elas é de 2 horas de barco, numa lancha que balança e faz 100% dos desavisados (que não tomaram dramin) vomitarem. É caro (100 dolares por pessoa) e muito cansativo. Fizemos apenas para Isabela e desistimos das demais - achei que não vale a pena fazer. Mas se você quiser muito conhecer outra ilha e só tiver um dia, vá sozinho, apenas pague o barco (60 dolares). Guias são completamente desnecessários. E tome dramin!!
  • ·         Ilha de Isabela: Depois de 3 dias em Santa Cruz, vale muito a pena pegar um barco para ficar mais 2 ou 3 dias em Isabela, onde se pode fazer snorkel com pinguins de água quente; nadar com tubarões; nadar na cratera de vulcão; caminhadas em vulcões ativos; ver flamingos, etc. Deve ser lindo demais, mas conhecemos muito pouco e me arrependo de não termos dormido lá. Não sei dar dicas de Isabela, mas sei que todos os passeios por lá também são gratuitos e dispensam guia. E que 3 dias é um ótimo tempo para ficar por lá. E lembre-se: tome dramin mesmo se você não for de enjoar muito. Não há sobreviventes, nesse caso!


Curiosidades de Galápagos
Galápagos é um conjunto de ilhas formadas por erupções vulcânicas. Os animais foram chegando aqui por mar, por ar, ou em pequenos pedaços de terra que se desgrudavam do continente. Traziam consigo sementes (no bico ou no intestino), que foram florestando a ilha. Para conseguirem fazer a travessia, os animais tinham que ser muito resistentes para passarem dias no mar sob o sol e sem comida. É por isso que, por terra, praticamente chegaram apenas anfíbios e as iguanas, que conseguiram se adaptar à água do mar. Os animais se espalharam e os mais fortes, adaptados, sobreviveram. O resto é só lembrar do darwin. Até o início da colonização espanhola, não havia em galápagos nenhum mamífero terrestre, nem insetos, nem outros répteis. Foram as embarcações que "introduziram" os ratos, as formigas, as aranhas. Depois vieram gatos, vaca e porcos. Mas não há em várias ilhas de galápagos nenhum cachorro. Não há pombas. não há cabras. Formigas são raras. Não há pernilongos. Há uma mutuca muito inconveniente. Mas não se veem insetos voando. Não há cobras (duas chegaram nu navio há alguns anos e foram mortas na mesma hora). Há uma natureza completamente diferente, habitada por bichos completamente diferentes. Das 3000 espécies presentes nas ilhas, 2000 só existem aqui!
A sensação, constantemente, é de que a natureza domina.  E uma natureza que não conhecemos. E pela falta de conhecimento, nos domina mais ainda. E ela não está nem aí para você. Os bichos simplesmente não se incomodam com nossa presença, não saem do lugar, não fogem. Dizia Darwin que a falta de predadores fez os animais ficarem muito amistosos e não conhecerem o medo. E a sensação é exatamente essa, eles não se abalam com nada nem ninguém. E, pelo menos aqui, o homem toma muito cuidado para que a natureza continue dominando e não tenha medo. A entrada em galápagos é muito controlada. Vários produtos não podem entrar nem com turistas nem serem trazidos do continente.  Você encontrará muito sorvete por lá. Mas não tem chocolate em galápagos. Várias frutas são proibidas em galápagos, para que as sementes não afetem o ambiente. Pêssegos e maracujás são bons exemplos. Eles simplesmente não entram na ilha. Da ilha também não se pode levar nada: nem mesmo um pedaço de pedra encontrado no chão! Tudo é controlado e devolvido.
É proibido fazer xixi no mato. É proibido alimentar os bichos (embora os pássaros ataquem nossas comidas). Há vigilância constante para que não se tirem plantas do lugar nem se toquem os animais (mesmo quando, por vezes, são eles que nos tocam, como as tartarugas marinhas!). 
A água é 100% transparente. Meio fria, meio quente, mas bem agradável. A temperatura ambiente é bem quente. A areia da praia varia: algumas são finas e brancas; outras de conchas que machucam os pés. Tudo é feito de rocha vulcânica, preto, bem bonito.
Em Galápagos há praticamente apenas um tipo de carro: uma Toyota branca cabine dupla. Esse é também o taxi. Eles ficam andando o dia todo de cima pra baixo e te cobram 1 dolar para qualquer trajeto dentro da cidade. Sim, eu disse qualquer trajeto.
Lembre sempre de levar comida e bebida para os passeios. Não existem bares nem restaurantes nas praias. Não existem ambulantes. Não há chuveiros para depois da praia. Em certos lugares, é só você, a natureza e os bichos que dominam o lugar, mais nada nem ninguém. Imagina: praia sem música, sem ambulante, sem bar, sem chuveiro, mas cheia de bichos que ignoram sua presença. Assim é galápagos.

Onde comer:
Há duas opções de refeições em Galapagos: restaurantes chiques, a la carte, à beira mar (cujos pratos partem de 15 dolares) ou os restaurantes populares. Em Santa Cruz há uma rua só com esses restaurantes, chamada de Calle de los Sabores ou Calle de los Kioskos. É uma rua cheia de pequenos restaurantes que vendem a refeição pronta. A maioria dos turistas come ali. Entrada + prato principal + suco = 5 dolares. Entrada é sempre sopa (tradição equatoriana); prato principal é peixe ou frango com arroz, feijão, banana frita e salada; suco natural. O lugar é bem popular, mas acredite, a comida é deliciosa e é o ponto preferido dos turistas e dos habitantes da ilha.
A rua fica lotada desde a manhã (café da manhã dos turistas que não tem café no hotel) até de noite. Pela noite, dezenas de mesas ocupam a rua, que viram um calçadão, e servem frutos do mar escolhidos na hora. Um peixe para duas pessoas com todos os acompanhamentos sai por 13 dolares. Camarões saem 14.

Quanto se gasta:
Equador é um país dolarizado, ou seja, tudo se paga em dólares americanos.
Entrada em galápagos: 70 dolares por adulto (a ser pago no aeroporto na chegada)
Comida: 13-20 dolares por dia por pessoal
Passeios: maioria gratuito. 25 dolares para barco (por pessoa) + 40 dolares para parte alta (por carro, até 4 pessoas) + 60 dolares de transporte de barco para Isabela ou para outras ilhas (por pessoa).
Hotel: 30-50 dolares por dia por quarto
Transporte dentro da ilha: o taxi custa 1 dolar para qualquer trajeto na cidade, o barco taxi também custa 1 dolar.
Cruzeiros ou excursões: as que cotei partiam de 12 mil reais!

Viagem com criança:
Encontramos muitos turistas viajando com crianças - grandes ou de colo. Levei o meu de 4 anos e foi incrível! Ele amou!! As crianças se divertem o tempo todo, interagindo com os bichos, nadando no mar, subindo nas montanhas, vendo aqueles animais estranhos. Dá para fazer todos os programas com crianças (embora a viagem de lancha para outras ilhas seja mais sofrido para elas - aliás, lembrem de dar dramin!!!). Tudo é fácil e acessível e elas se divertem sempre. De todas as viagens que já fiz com meu filho (e foram algumas dezenas), essa foi a mais especial para nós dois!! Eu também estava com meus pais - ambos com mais de 65 anos. E eles curtiram tudo, não se privaram de nada também!

O que levar:
- Roupas de praia e de calor
- Tênis para algumas caminhadas curtas.
- Muito protetor solar e chapéu (lembrem-se que estarão na linha do equador!).
- Canga
- Máquina fotográfica (mas não pode entrar bateria de lítio)

Quem quiser saber mais, veja algumas fotos aqui: https://www.facebook.com/gabriela.lotta/media_set?set=a.1185419058148972.1073741838.100000426680742&type=3

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Vellutata di funghi (ou, no popular, sopa de cogumelos)


Mais uma receita fornecida por Arilson Favareto, para comer de entrada ou na janta, fria ou quente. É simplesmente deliciosa!

Vellutata di funghi (ou, no popular, sopa de cogumelos)
Ponha pra ferver um litro de caldo de carne. Em outra panela, coloque dois a três dentes de alho inteiros em uma bolota de manteiga desmanchada em um fio generoso de azeite. Quando o alho começar a dourar, acrescente um punhado de funghi secchi grosseiramente picado (o funghi secchi deve ter ficado de molho em água morna com uma colher de leite por uns quinze minutos, ao menos). Depois de refogar um pouco, acrescente 200 gramas de cogumelos grosseiramente rasgados (misture dois ou três tipos diferentes - eu gosto de misturar cogumelos de paris e shimeji). Tempere com sal e pimenta do reino. Deixe soltar a água, secar, e começar a dourar (atenção para não tirar antes da hora e ficar borrachudo, ou deixar tempo demais e queimar ou ficar seco - tire quando estiverem tenros e com uma cor bonita). Quando estiver no ponto, retire os dentes de alho, acrescente o caldo de carne e deixe cozinhar por vinte minutos. Confira o sal e a pimenta do reino e, se precisar, ajuste . Desligue.
Numa tigelinha, misture dois ovos inteiros com um puhado de parmesão, sal e pimenta do reino, e um punhadinho de salsinha fresca picada. Despeje aos poucos essa mistura na panela onde está a sopa, mexendo simultaneamente com uma colher de pau. Isso vai dar o ponto, deixando a sopa com uma espessura mais aveludada. Sirva com cubinhos de pão italiano passados na manteiga, ate ficarem crocantes. 

Receitas de Bruschettas Deliciosas


As receitas abaixo são do Arilson Favareto e são rápidas e deliciosas!!

A rigor não existe "receita de bruschetta", porque elas nada mais são do que um sanduíche aberto. A lógica é tacar no pão o que se tem vontade, do jeito que se tem vontade. O "meu jeito" de fazer é o seguinte. 

Bruschetta de tomate e manjericão

Coloque numa chapa ou no forno algumas fatias de pão italiano com 1 cm de espessura aproximadamente. Quando começar a tostar, vire e deixe ficar tostado do outro lado também. Quando estiver no ponto (não deixe as fatias ficarem muito secas - o ideal é ficar com as bordas tostadinhas e o miolo não muito seco), tire, esfreque um dente de alho dos dois lados. Ponha uma pitadinha de sal e um fiozinho de azeite. 

Enquanto isso aqueça numa frigideira um fio generoso de azeite e, junto, dois a três dentes de alho picados bem miudinho. Não ponha o alho no azeite muito quente porque pode tostar e a ideia não é essa. Quando o alho começar a dourar (bem no comecinho), junte quatro tomates picados em cubinhos. Acerte o sal e a pimenta, regue com mais um fio de azeite. Deixe aquecer e tire do fogo. Não deixe muito tempo no fogo para que não comece a soltar a água e começa a virar molho ao sugo. É apenas o tempo de aquecer. 

Despeje porções do tomate sobre as fatias de pão. Rasgue algumas folhas de manjericão por cima. Regue com mais um fio de azeite e está pronto.

Bruschetta de gorgonzola e pera


Amasse com um garfo pedaços de um bom queijo gorgonzola, regando com azeite até ficar pastoso. Acrescente um a dois dentes de alho picados bem miduinho. Se quiser adicione um pouco se sal e pimenta. Misture tudo muito bem. A quantidade de azeite e de gorgonzola depende do seu gosto. Prove até ficar no seu ponto.

Pegue algumas fatias de um bom pão italiano com mais ou menos 1 cm de espessura. Esfregue um dente de alho dos dois lados. Tempere com uma pitadinha de sal. Passe a pasta feita com a gorgonzola e o azeite, em porções generosas. Coloque por cima uma fatia fina (mas não finíssima) de pera. Leve ao forno. Quando estiver dourado (por baixo e por cima), retire e sirva.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Receitas simples e gostosas para festas ou para o cotidiano


Sempre que organizo alguma encontro ou festinha aqui em casa, repito alguns dos pratos que costumava fazer constantemente (antes de ser mãe, quando ainda tinha tempo para cozinhar) e que são práticos e saborosos. Depois de vários pedidos e envios de receitas por email, decidi compartilhar aqui no blog algumas dessas receitinhas.

Receita de pão integral
2 xic farinha trigo comum
2 xic farinha trigo integral
1 colher sal
1/2 colher de açucar
1 e 1/2 tablete fermento fresco
1/2 xic oleo
1 e 1/2 xic agua morna

Preparo: mistura bem a massa (sovar várias vezes), colocar os grãos (eu uso linhaça, quinua, gergelim, semente de girassol, xerem de castanha, etc), deixa descansar e crescer (gosto de deixar a noite toda), reparte em duas formas e coloca para assar em fogo médio, até ficar dourado. Rende 2 pães.


Receita de quiche
Embora, como o próprio nome diz, quiche pareça chique, é uma torta muito simples de fazer e ótima para usar todos os restos de queijos, frios e outras coisas que estão sobrando na geladeira. Abaixo dou a receita básica e depois conto o que se pode misturar. Faço a receita meio a olho no intuito de poder aproveitar o máximo de coisas que sobram na geladeira.

Massa:
1 e 1/2 xícara de farinha de trigo (pode misturar com integral ou com farinha de castanha)
100 gramas de margarina ou manteiga
Sal a gosto
Pitada de açucar
Preparo: mistura todos os ingredientes até formar uma massa consistente. Pode colocar alguma semente (como gergelim). Deixar gelar por pelo menos 30 minutos na geladeira, depois abrir a massa nas formas com camada não muito fina nem grossa. Gosto de usar formas desmontáveis. Não precisa untar a forma. Reservar a massa crua.

Recheio:
2 ovos
1 caixa de creme de leite 
Leite (aprox 1 e 1/2 xícara, mas pode variar em função dos demais ingredientes)
Ricota (aprox 200 gramas)
Sal (varia em função dos demais ingredientes)
Preparo: misturar todos os ingredientes e jogar dentro o que mais quiser (vários tipos de queijo, tomate seco, funghi, aspargo, palmito, etc). Eu misturo na mão, sem batedeira. 

Depois de tudo misturado, colocar em cima da massa crua (esse recheio terá uma base bem liquida e os pedaços do que foi misturado). Cobrir com queijo ralado e assar em fogo médio até que o queijo fique moreno.


Receita de petit four de queijo (ou "sou feio mas sou gostoso")
Essa é a receita daqueles salgadinhos caros que vende em padaria que tem gergelim, queijo, castanhas, etc, feitos com diversos formatos. É uma receita muito simples, bem gostosa e barata que serve para lanches, entradinhas, etc. A receita é a mesma da base da quiche e, assim, costumo agilizar - quando faço quiche, já faço massa a mais, separo uma parte e misturo os demais ingredientes do petit four (neste caso coloco a mais o queijo ralado, um pouco de azeite e sementes). 

Ingredientes:
250 gramas de farinha (gosto de misturar de trigo com integral, às vezes com farinha de castanha)
125 gramas de queijo ralado
150 gramas de manteiga
Um pouco de azeite (se ficar seco ou para dar gosto)
Sal a gosto 
Sementes opcionais (castanha picada, gergelim, quinua)

Preparo:
Mistura tudo na mão. Dá uma massa consistente. Na padaria eles fazem os salgadinhos individualmente com formatos variados. Já tentei fazer em casa mas dá muito trabalho e, como sou preguiçosa, decidi inventar uma solução mais rápida: eu abro a massa na mão mesmo em cima da forma (é uma massa bem fácil de trabalhar) com uma espessura nem muito fina nem muito grossa (não precisa untar a forma). Depois corto com uma faca em quadradinhos e asso ate ficar dourado. Cuidado porque queima muito rápido! Depois é só tirar do forno e separar onde foi cortado (aqui vem a parte do "sou feio mas sou gostoso" porque às vezes os cortes se desfazem e você acaba quebrando os biscoitos de forma irregular na mão, mas pra comer em casa ou servir para amigos isso não é nenhum problema!). 


Homus - Pasta de Grão de Bico
Essa é outra receita super simples e que gera uma boa economia em relação aos preços dos restaurantes árabes.

Ingredientes
300 gramas de grão de bico
3 colheres de tahine
2 dentes de alho
2 colheres de azeite
Sal a gosto

Preparo: cozinhar o grão de bico em panela de pressão (bastante tempo, até ficar bem mole). Colocar no liquidificador com os demais ingredientes. Se estiver difícil de bater, colocar um pouco (pouco) da água que cozinhou o grão de bico. Pronto!

Babaganoush - Pasta de Berinjela
Mais uma receita árabe bem simples e gostosa

Ingredientes
2 berinjelas grandes
3 colheres de tahine
1 dente de alho
3 colheres de azeite
Suco de meio limão
Sal a gosto

Preparo: Assar a berinjela até formar bolhas na casca. Tirar a casca e colocar a polpa no liquidificador. Colocar os demais ingredientes. Geladeira. Pronto!


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Pílulas sobre Praga





Praga é um lugar entrecortado por rios, castelos, igrejas, sinagogas, prédios em paralelo, ruas nas transversais. diagonais, curvas e retos.

Um lugar onde os ônibus estão marcados para chegar 10:26. e eles chegam às 10:26. sempre. mesmo que tenham que parar em todos os pontos sem ter ninguém para subir ou descer. caso contrário, não será pontual.

Um lugar onde a cerveja é mais barata que a água. 


Por onde há marcas de história e das imigrações ao mesmo tempo em todos os lugares: as antigas sinagogas, as igrejas barrocas, o cristal boêmio, os objetos com traços orientais, os vendedores coreanos, os imigrantes africanos, os cristais austríacos, os chocolates belgas, os prédios sisudos do comunismo, as lojas brilhantes do capitalismo, o castelo medieval, as pinturas clássicas, os monumentos imperiais.

Que não se preocupa em traduzir as placas turísticas com os nomes ocidentais das atrações. aquela placa é para uma igreja, sinagoga ou museu? definitivamente, não dá pra saber.  

É um lugar onde você não consegue entender nada, absolutamente nada do que se fala. nenhuma palavra. mesmo aquelas que se parecem com alemão, ou língua latina. a semelhança é apenas impressão. 

Onde as pessoas lêem a todo o tempo e em todos os lugares. no metrô. no ônibus. no parque. em grupo. sozinhos. em casal. no calor ou de cobertor. há sempre leitores. 

É um lugar onde o número de sinagogas é quase igual ao de igrejas. 

É um lugar onde você não precisa mostrar o bilhete para entrar no ônibus ou metro, mas tem certeza de que alguém vai te parar se você decidir burlar a lei.

Um lugar para se apropriar em poucas horas. atravessando por uma ponte, voltando pela outra. subindo por um bonde, descendo a pé. cruzando uma galeria. subindo uma torre. descendo uma escadaria. olhando um relógio. uma travessa. outra paralela. mais algumas diagonais. e já se está de volta de onde saiu. 

É um lugar cheio de casas de massagem tailandesa onde os clientes ficam sentados na vitrine com as pernas em um tanque de água e centenas de peixes mordendo a perna de quem pagou para estar ali.

Em um canto, o museu de instrumentos de tortura. em outro canto, o de instrumentos sexuais. 

Um lugar onde as meninas são lindas. e as mulheres envelhecem logo. 

Onde o metro tem cheiro de cerveja a partir das 19h. e onde se toma sorvete mesmo com temperatura de 2 graus. 

Aliás, é um lugar onde a temperatura pode variar entre -10 e 40 graus. em poucos meses. E há roupas apropriadas e elegantes para cada estação.

Um lugar que encanta de dia. e reencanta de noite. cor púrpura. dourado. marfim.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Relatos da maternidade de uma mãe autônoma e workaholic


Sempre me perguntam como consegui conciliar a vida de consultora workaholic e autônoma com a maternidade. Já contei essa história diversas vezes, sempre com muito orgulho, e hoje decidi escrever um pouco de como ela se deu – não apenas para guardar melhor em minhas memorias, mas também para compartilhar como é possível ter filho trabalhando bastante e, ainda assim, garantir atenção, amor e muita amamentação!
Para quem me conhece, sabe que ao longo dos últimos dez anos trabalhei muito (e com muito prazer) para construir uma carreira autônoma na administração pública. E que simplesmente adoro o que faço. Além dos muitos anos de estudo, entre graduação, mestrado e doutorado, sempre conciliei com trabalhos de consultoria ou de formação de gestores. Nesses mais de dez anos, foram dezenas de consultorias a governos, centenas de horas de cursos ministradas para várias organizações, livros e artigos publicados, etc. 
Quem trabalha como autônoma sabe que devemos sempre acumular os trabalhos para evitar períodos sem nada – de forma que acabamos sempre tendo muitas coisas para fazer ao mesmo tempo, jornadas extenas e e sem horários fixos ou dias regulares de trabalho. Além disso, pelas próprias características das escolhas que fiz, tive que viajar muito desde que me formei: para dar consultorias em diversas cidades do país, para trabalhar com formação de servidores públicos nos mais variados estados, para participar de congressos nacionais e internacionais, para fazer visitas de campo do meu mestrado e doutorado, etc.
Foram anos intensos e de muitas viagens: morei em algumas cidades do sertão brasileiro, percorri os estados do norte e do nordeste, estudei em Nova York, trabalhei na Alemanha, morei em Hong Kong, dei palestras no Chile, na Argentina, no Peru, na Italia e em Portugal. Foi uma vida profissional nômade e que me encantava, não apenas por conhecer novos lugares, mas por mudar a natureza do meu trabalho.
Até que, sem planejamento, previsão ou expectativa, engravidei em 2010. Como sempre trabalhei de forma autônoma, sem salário fixo e dependendo de uma rede de contatos e indicações, tinha que aproveitar o tempo da gravidez para trabalhar muito, consolidar diversas atividades e juntar dinheiro, sem saber como as coisas seriam depois que meu filho nascesse.
Em 9 meses foram 52 viagens nacionais e internacionais. Passei mais tempo em Brasília do que em minha casa. Fui trabalhar no Acre, me aventurei pelo interior de Rondônia, dei aulas no Espírito Santo, cruzei mais uma vez o sertão da Bahia. Foram nove meses com vestido cada dia mais curto, carregando a barriga, com o esforço crescente que ela me gerava, por todo o país, entre os mais diferentes climas e geografias, à prova de diversas culinárias e experimentações.
Chico nasceu em junho de 2011. Foi um final de gravidez difícil – o excesso de trabalhos e de viagens impactaram em uma falta de ganho de peso por parte minha e dele (em 8 meses de gravidez eu tinha engordado apenas 5 kg e ele 1,5). Ao longo do último mês, tive que diminuir o ritmo, aprender a dar aula sentada, descansar mais e me obrigar a comer muito. Chico decidiu nascer no dia em que completou as semanas mínimas necessárias para não ser prematuro, mas chegou com apenas 2.3 kg - ganhos com muito esforço, mas que ainda era pouco para a média dos bebês.
A solução para o baixo peso? Amamentação. Muita amamentação. Decidi que queria reverter o quadro de baixo peso garantindo amamentação exclusiva de 6 meses. E Chico contribuiu: pegou o peito e adorou desde que nasceu!
Mas como poderia manter o ritmo de mamadas a cada 3 horas, exclusivamente leito materno, sendo eu autônoma, sem salário fixo e trabalhando no ritmo e distâncias como fazia? Era um dilema que teria que enfrentar, sem babá (por decisão minha), mas com a ajuda de minha mãe.
Decidi passar os primeiros 2 meses mais quieta em casa, fazendo pequenos trabalhos à distância. Quando Chico completou 2 meses, ganhou mais de 2,5 kg e saiu da zona de risco, decidi voltar à ativa. E a solução era: aonde o peito vai, o Chico vai atrás.
Com 2 meses ele passou a frequentar minhas salas de aula. Aonde quer que eu fosse, ele ficava numa salinha ao lado, de suporte e, assim que chorasse para mamar, eu era chamada por minha mãe que ficava com ele.
Com 3 meses enfrentamos nossa primeira viagem de avião. Fomos juntos para Brasília, apenas eu e ele. Consegui uma babá russa que morava na cidade e que poderia cuidar dele. E a essa viagem se seguiram outras 3 em todas as semanas subsequentes. Ficávamos hospedados na casa de uma amiga, com toda a infraestrutura ambulante (ou improvisada) de que um bebê precisava: carrinho que virava cama, bacia que virava banheira, fraldas e roupas lavadas e secas no mesmo dia, etc etc.
Com um ano de vida, Chico já tinha completado 26 viagens de avião. Conheceu 4 diferentes países, 4 estados brasileiros e mais de 50 cidades. Já participou de aulas, reuniões, congressos e tem sido um grande companheiro de viagem.
Nas viagens mais curtas, quando decidia não leva-lo para evitar tanto esforço, carregava uma bomba elétrica, uma pequena geladeira térmica e potes de vidro esterilizados, onde armazenava o leite retirado religiosamente a cada três horas, estivesse onde e como estivesse (o que incluiu alguns banheiros de avião, diversas salas de aula, banheiros de organizações onde trabalhei, salas de reunião, etc.). O leite era armazenado, congelado e dado a ele na minha ausência. Eram retirados e ministrados, por dia, cerca de 2 litros de leite materno. Chico aprendeu a tomar leite em qualquer temperatura, na mamadeira, no copo, na colher - era tão versátil quanto minha vida necessitava que fosse.
Foram 6 meses de amamentação exclusiva sem nunca precisar dar fórmula ou água ou suco nem sequer por uma vez. E, até agora, foi 1 ano e meio de amamentação em livre demanda. Chico é um menino extremamente saudável e ativo. Nunca fica doente, é adaptável, sorridente e brincalhão. Nos adaptamos perfeitamente um ao ritmo de vida do outro.
Hoje Chico vai à escola durante 6 horas por dia. Passa as demais horas ao meu lado – em casa, em reuniões ou em outros compromissos que possamos ter. Continuamos sem babá e usufruindo muito da ajuda da vovó.
Em quase 18 meses de experiência como mãe, minha vida profissional não voltou ao ritmo ou com a cara do que era antes. E certamente nunca mais será a mesma – por decisão e por convicção. Ter um filho significa passar por muitas adaptações. Tive que aprender a trabalhar menos (ou a ser mais produtiva), tive que aprender a funcionar mesmo com sono (ele ainda acorda de madrugada, por pelo menos 3 vezes), tive que aprender a comer quando é possível, a dormir quando posso, a trabalhar de madrugada (sempre me senti mais inteligente de manhã). Tive que aprender a trabalhar escutando músicas da palavra cantada ou da galinha pintadinha, a dividir a tela do meu computador em duas para trabalhar enquanto ele assiste vídeos. Tive que decidir deixar de ser autônoma para ter uma renda fixa (hoje sou professora concursada de uma universidade federal), passei a escolher trabalhos mais próximos de casa e tive que decidir viajar menos. Todas escolhas marcantes, convictas e que me trazem a alegria de saber que posso ter prazer no trabalho, de uma nova forma, ao mesmo tempo em que garanto atenção, amor e amamentação ao meu filho.



domingo, 28 de outubro de 2012

De guerra e de rumba: primeiras impressões sobre Cartagena


É incrível como conhecer cidades na america latina significa, na maioria das vezes, conhecer os resquícios de guerras, colonização e catequização. Em Cartagena, Colômbia, não é diferente. 
Conhecer Cartagena, pra os operadores de turismo locais, significa visitar o forte, símbolo da busca por proteção aos espanhóis; visitar as igrejas e mosteiros, construídos quando a Colômbia foi 'descoberta' e que ainda exibem o ouro retirado dessas terras; conhecer a cidade murada, para resguardar a vida dos colonizadores espanhóis dos ataques ingleses; encontrar pela cidades diversas esculturas ou obras em homenagem a guerras ou heróis específicos. 
E fico igualmente impressionada com a excitação com a qual os guias contam sobre os túneis subterrâneos para matar inimigos, o poder dos canhões, a dureza das muralhas, as batalhas vencidas, os heróis exaltados, os inimigos assolados. 
A era pre-colombiana, quando aparece (à parte da própria condição do nome, que ainda remete a colombo para nomear essa era) surge apenas nos artesanatos copiados e reproduzidos, feitos com ouro local, com esmeraldas colombianas, com prata andina.
Mas, para além das aulas de história, entre rumbas, salsa, sorrisos e coquetéis, cartagena parece uma simpática cidade caribenha.
Ah, e para se conhecer esses resquícios de guerra, colonização e catequização, vale a pena pegar uma das chivas, típico ônibus/caminhão adaptado para turistas que te leva de maneira divertida a um tour basico, regado de muita rumba e sorvete, para quem curte o dia, ou rumba e coquetéis, para os noturnos. 

Algumas sugestōes e curiosidades sobre cartagena:
- há muitas frutas diferentes por aqui, todas gostosas e refrescantes e que valem s pena. Vendidas nas ruas, nas padarias e nos mercados, estão disponíveis de todas as formas: frescas, inteiras, cortadas, em latas ou garrafas da Del Valle, que já as descobriu
- banho por aqui só se toma frio
- se você acha, ou tem certeza, de ter qualquer propensão à claustrofobia ou a síndrome do pânico, nao entre nos túneis subterrâneos do forte. Eles me fizeram relembrar, infelizmente, as crises que só tinha experimentado nas ladeiras de olinda em pleno carnaval
- assim como nos demais 'países em desenvolvimento' (e diferentemente dos desenvolvidos, como já relatei aqui), na Colômbia existe lei dde prioridades a gestantes, idosos e mães com bebes 
- até agora cartagena nao parece um passeio muito adequado para se fazer com crianças pequenas. A cidade é muito quente e, além das visita aos resquícios da colonização, os outros passeios se resumem a ir às maravilhosas ilhas do entorno que nao possuem, necessariamente, uma boa estrutura para passar o dia com bebês

terça-feira, 24 de abril de 2012

Relatos de uma viagem rumo à Itália

Abaixo vocês vão encontrar alguns relatos sobre a viagem que fiz recentemente à Itália. Longe de ser um guia de viagens, esses relatos se propõem a dar algumas dicas de roteiro, comida e hospedagem além de dicas sobre como viajar com um bebê por aquelas terras. Roteiro da viagem: - Dias 1 a 4: Roma - Dia 5: Nápoles - Dia 6: Pompeia e Hercolano - Dia 7: Sorrento - Dia 8: Ilha de Capri - Dia 9: Costa Amalfitana e Paestum - Dia 10: Bari e Matera - Dia 11: Alberobello - Dia 12: Corato e Região de Scanno - Dia 13: Scanno e Sulmona - Dia 14: Tivoli

Dicas gerais de uma viagem à Itália com bebê

Pela minha experiência, viajar com bebê pela Itália foi relativamente fácil e agradável (dentro do possível de se viajar com um bebê). Seguem abaixo algumas dicas ou relatos: Receptividade: 1. Embora não tenhamos encontrado muitos bebês italianos, as pessoas, de forma geral, foram muito receptivas ao nosso pequeno. Não encontramos olhares repreensivos em hotéis, restaurantes ou pontos turísticos, mesmo sendo, meu pequeno, um bagunceiro e agitador de marca maior. Pelo contrário: em geral as pessoas eram muito simpáticas, mexiam conosco, nos ajudavam e facilitavam no que podiam. Circulação: 1. Circular com um bebê foi relativamente simples também - e olha que cruzamos a bota e andamos vários kilometros. Mas a maioria das cidades tem boas calçadas, com rebaixamento, que permitem caminhar de carrinho. Tirando alguns lugares com muitas subidas ou descidas (costa amalfitana) ou cidades antigas (pompéia), nas demais localidades andar de carrinho foi muito mais fácil que no Brasil! 2. Alugar um carro é sempre a opção mais simples com um bebê, já que podemos circular com montes de sacolas, chegar perto dos pontos turísticos, fugir da chuva, etc. Mas mesmo onde tivemos que circular com transporte público, não tivemos grandes dificuldades - o país é muito mais adaptado a carrinhos e cadeiras de roda do que o nosso. Além disso, nas cidades turísticas costumamos ficar mais "concentrados" em diversas regiões e pontos, bem sinalizados e que permitem deslocamento fácil. Hospedagem: 1. Os hotéis por onde passamos foram bastante acolhedores com o bebê, mas em apenas dois deles encontramos bercinho no quarto. Nos demais, tive que fazer cama compartilhada - o que pode ser bom para alguns e ruim para outros. Uma questão que se mostrou imprescindível foi a presença de carpetes nos quartos dos hotéis (limpos, claro), que permitem à criança circular, engatinhar e até cair sem grandes machucados. 2. Uma alternativa muito bacana para quem viaja com bebê é alugar um apartamento. Além de sair mais barato, na maioria das vezes, essa opção nos permite cozinhar e ter mais estrutura para cuidar de um bebê. Uma boa dica é o site www.airbnb.com Alimentação: 1. Tanto a nossa alimentação como a do bebê ficam um pouco limitadas em viagens assim, a não ser que você alugue um apartamento e possa cozinhar. Caso contrário, o apelo às papinhas prontas costuma ser a saída, nem sempre muito bem aceita pelas mães ou bebês. De qualquer forma, na Itália foi muito fácil encontrar papinhas prontas em supermercados e farmácias, de vários sabores, diferentes marcas e ingredientes. E o preço era igual ou menor ao do Brasil - ou seja, não vale a pena levar as papinhas daqui e ficar carregando peso por lá. 2. No caso de comidas frescas, a opção dos restaurantes não é sempre a mais fácil para os bebês, já que a lógica da refeição italiana (primo piato, secondo piato, etc) limita a variedade de nutrientes que consumimos em uma mesma refeição. Mesmo assim, os pães italianos servidos em todos os restaurantes foram sempre um atrativo para meu pequeno que está com dentes nascendo. Além disso, costumei pedir macarrões que tivessem legumes e não tivessem ingredientes proibidos para as crianças e, entre uma garfada e outra, o pequeno também pode aproveitar. 3. Vale lembrar também que é bem raro encontrarmos frutas frescas nos cafés da manhã de hotel - normalmente são frutas enlatadas e cheias de açúcar. Aqui a dica do supermercado vale muito para poder carregar umas bananas ou maçãs nos passeios. 4. Embora não tenha a ver com alimentação diretamente, vale uma dica importante sobre os restaurantes: não encontrei NENHUM trocador em NENHUM restaurante das várias cidades por onde passeio. As trocas de fraldas, como podem imaginar, viraram um verdadeiro malabarismo nos banheiros, de preferência com a ajuda de 2 ou 3 pessoas para funcionar bem...

A vida numa vila de Roma

A ida à Itália foi motivada pela participação em um congresso internacional, no qual eu e duas queridas amigas tínhamos aprovado um trabalho. Como bem sabíamos, apresentar o trabalho era apenas uma boa desculpa, bem intencionada, de viajar à Itália e estender nossas férias. E foi por isso que decidimos fazer essa viagem, carregando meu pequeno bebê, com 9,5 meses e meus pais que, durante minha participação do congresso, cuidariam do pequeno pelas ruas de Roma. Para facilitar os cuidados com o bebê, decidimos alugar um pequeno apartamento em um site bem bacana que viabiliza aluguel de casas e apês no mundo todo (airbnb.com). O taxi nos levou para uma pequena rua de paralelepípedos atrás da Piazza Campo dei Fiori, em frente a um café que, depois eu descobriria, tinha o melhor cappuccino de toda a região. Estranhamos quando o taxi nos deixou em frente a uma porta de ferro que dava entrada a um muro de tijolos bem antigos. Alguns minutos depois chegou Giuseppe, um rapaz casado com uma sergipana que nos alugara o dito apartamento. Giuseppe abriu a porta de ferro para nos evidenciar, então, uma daquelas antigas vilas italianas, típicas de filmes, em que os apartamentos vão subindo escadas acima, em uma desordem quase que intencional, cheia de gatos, plantas e roupas penduradas. Num estranhamente lindo labirinto de escadas, as casas vão se formando e conformando uma vida comum àqueles moradores. Nosso apartamento era uma pequena porta no andar térreo dessa vila, de frente às bicicletas e à moradia diurna de meia dúzia de gatos. Um pequeno quarto, uma sala acoplada à cozinha e um banheiro. Era tudo o que precisávamos para passar de forma ainda mais mágica aqueles primeiros dias em terras italianas: habitar, mesmo que temporariamente, uma verdadeira vila no centro escondido de roma, entre o pantheon e o bairro judeu.

Dias em Roma: entre o trabalho e o turismo

Os 4 dias que passamos em Roma tiveram que ser divididos entre a participação no congresso e o turismo. No entanto, infelizmente, os organizadores do evento marcaram as atividades para um local bem distante, a quase duas horas do centro, o que nos impedia de ir e vir quando quiséssemos. Tivemos que selecionar o que assistir e, ao mesmo tempo, selecionar o que poderíamos visitar da cidade. E uma das boas formas de conciliar melhor essas escolhas era caminhar o máximo possível pela cidade, para qualquer trajeto que tivéssemos, já que Roma é cheia de boas surpresas a cada esquina (e não é todo dia que você pode cruzar com uma edificação de mais de 2000 anos sem pretensões). Foi assim que conseguimos visitar o Pantheon, a Fontana de Trevi, o muro de Adriano, a Piazza Navona, o bairro judeu, o antigo mercado de peixes, o teatro de marcelo, entre outros pontos lindos dessa cidade tão surpreendente. Outra forma de potencializar nosso passeio era andar num daqueles ônibus circulares que levam os turistas a todos os cantos da cidade de forma rápida e fácil e que podem ser utilizados por todo o dia com entradas e saídas livres. Para quem vai viajar com bebes ou crianças, essa é uma excelente saída, já que não cansa a criança nem nossas costas. Tomamos um desses ônibus para cruzar o Vaticano, o castelo de sant´angelo, o forum, o coliseu (vale aqui uma ressalva de que eu já conhecia todos esses lugares de uma viagem anterior, bem extensa, à cidade. Assim, uma passada mais rápida era suficiente para poder reviver tudo aquilo. Para quem não conhece, separe um dia para visitar o Vaticano - cujo ingresso deve ser comprado com antecedência, outro para visitar o forum e o coliseu. E espere por horas de fila). E, por fim, decidimos investir em um turismo gastronômico que nos permitia curtir a cidade nos horários fora do congresso. E nada como sentar numa tratoria italiana e pedir um dos pratos, curtindo a noite com pessoas queridas. Para quem nunca foi à itália, aqui vale uma dica: diferentemente de nós que classificamos todos os estabelecimentos como "restaurantes", para os italianos há uma categorização que impacta no preço. Assim, prefira as Tratorias aos Restaurantes, já que essas tem comidas mais baratas, enquanto os restaurantes são mais refinados e caros. E, além disso, caso você não coma muito, não caia na tentação de pedir um menu completo, já que para os italianos uma refeição é composta de antepasto (saladas e petiscos), primo piatto (massa ou risotto), secondo piatto (carnes) e sobremesa - todos em porções bem generosas. Para mim, por exemplo, apenas um primo piatto é mais do que suficiente. Para quem vai viajar com bebês, uma dica profana: igrejas podem ser ótimos lugares para uma rápida troca de fraldas! E tanto para quem vai com bebês como com crianças pequenas: levem um carrinho, pois Roma exige grandes e boas caminhadas (e, se possível, algum que possa ser detonado, já que as ruas de paralelepípedos da cidade estragam bem o carrinho).

Rumo ao Sul: Nápoles

Alugamos em Roma um carro para começar a viagem ao sul, com destino a Nápoles. Embora sejam cidades relativamente próximas, o trânsito e a falta de informações de ambas podem fazer o trajeto ser muito demorado. Além disso, Nápoles tem um trânsito infernal, sem regras de trânsito e com ruas que não tem saídas nem escapatórias - um GPS se torna também imprescindível. Por um misto de sorte e planejamento, chegamos à cidade na sexta de noite para passar o final de semana, quando o trânsito é melhor
. Mas por um misto de azar e falta de planejamento, o hotel que tínhamos reservado não nos servia e tivemos que procurar outro. Mesmo com todos os apps do IPad à disposição, tivemos muita dificuldade de encontrar um hotel na cidade (tanto encontrar literalmente pela dificuldade física, como de encontrar vagas pela excesso de turistas). Mas o azar virou uma sorte e ficamos num dos pontos mais bonitos da cidade, no alto do morro no Corso Vittorio Emanuele. O hotel chama-se Britanique, tem ótimo preço, excelente localização, quartos amplos e confortáveis e o que se mostrou imprescindível ao longo da viagem: carpete no chão. E aqui vai uma importante dica para quem viaja com bebês e crianças pequenas: prefira hotéis com carpete no chão (desde que sejam limpos e não mofados, claro), já que as crianças podem andar, engatinhar, brincar, etc. etc. Ficamos duas noites neste hotel, já que Nápoles acaba servindo como ponto de referência para outros importantes passeios na região (como Pompeia e Hercolano, que contarei em outra postagem). Mas conhecer Nápoles também é muito interessante, desde que sejam tomados alguns cuidados: tentar ir no final de semana (para evitar o trânsito infernal), ter um GPS e pedir boas referências (já que a cidade é enorme), ter muita paciência para dirigir ou passear em uma cidade sem regras de trânsito (sério, muito pior do que as piores cidades brasileiras que conheço) e não ter enjoado de comer pizza ou doces (a cidade é realmente uma capital das pizzas de pedaço, maravilhosas, e dos sfoglatellis, indescritíveis!).

Cidades de restos: Pompeia e Hercolano

Desde a infância escutamos falar da história de pompéia e do vesúvio. Não sei quanto a vocês, mas sempre me surpreendeu a ideia de uma cidade que foi "congelada" no tempo por uma erupção vulcânica. E ficava sempre imaginando como seriam aqueles corpos em movimento que tinham sido cobertos pela lava do vulcão. Visitar pompéia sempre foi, portanto, um misto de curiosidade, incredulidade e utopia. Mas estando em Nápoles, tudo se torna excessivamente real, especialmente porque olhando de qualquer lado da cidade, sempre encontramos o Vesúvio, imponente, coberto de névoa, contrastando com o mar, invadindo e imperando por toda a região. Pompeia é uma das cidades à beira do Vesúvio, próxima a Nápoles e que guarda, dentro de um espaço murado e protegido, uma cidade morta pelo vesúvio. E passear por Pompéia é, literalmente, passar o dia caminhando pelos restos de uma cidade morta pelo vulcão e soterrada por suas cinzas durante séculos. Caminhamos entre as ruas da cidade antiga, que chegou a ter 20 mil habitantes, onde vemos os restos do bairro rico, os restos do bairro pobre, os restos das termas, os restos do cemitério, os restos das lojas, dos moinhos e dos templos pagãos. É uma cidade de restos onde devemos caminhar bastante e ativar bem a imaginação para completar os muros que foram derrubados e os tetos que foram soterrados e construir a imagem do que um dia ali existiu. E quanto aos seres humanos e materiais que viraram pedras com a lava em movimento? Estes também são restos, restos de pessoas que decidiram não fugir da cidade quando se percebeu a erupção e que ali morreram intoxicados pelos gases e cujos corpos foram petrificados depois pela lava (menos de 1% dos habitantes ficaram na cidade depois da erupção começar). Cheguei a pensar, inclusive, que se Pompéia fosse nos estados unidos, certamente teriam feito um bondinho para atravessar todas as cidades, ao lado de um parque temático onde poderíamos viver a experiência de fugir de um vulcão. Visitamos Pompéia numa manhã de um dia chuvoso. E logo na entrada percebemos que a visita com bebê, em dia de chuva, não seria nada fácil. Carrinhos não são bem vindos em Pompéia (as ruas são de pedras antigas, sem homogeneidade e por onde é impossível guiar um) e, ao mesmo tempo, as pedras com chuva não facilitam a vida de uma mãe com canguru (tive que andar o passeio todo de mãos dadas com alguém para não desequilibrar com o Chico nas costas). Como a cidade é grande, original e não tem estrutura (coisa que os americanos resolveriam muito bem, rs.), o passeio é longo, não promove boas paradas nem banheiros nem lanchonetes. Assim, com crianças, é melhor selecionar apenas um pedaço para visitar. E, sem crianças, passar antes no banheiro e levar um kit de lanches para poder curtir mais. Ah! E os guias que oferecem serviço a 10 euros na entrada podem também ser uma boa estratégia, já que a sinalização da cidade é muito ruim. Depois de Pompéia decidimos visitar Hercolano, outra cidade da região que também foi morta pela erupção do Vesúvio. E o que vou dizer aqui pode parecer uma ofensa terrível, quase uma profanação à história e ao turismo, mas eu definitivamente gostei mais de Hercolano do que de Pompéia. Hercolano era uma cidade de descanso para os ricos de Pompéia, com cerca de 4 mil habitantes, construída entre uma praia e um penhasco. A cidade tinha pelo menos 3 camadas na vertical, casas sobre casas. Diz a história que quase todos os seus habitantes morreram sem tempo para fugir da erupção (diferentemente de Pompeia) e, como a cidade tinha 15 metros de profundidade até o mar, ela foi toda coberta de cinzas e assim ficou durante muitos séculos. Outra cidade foi construída sobre ela, até que se descobrissem seus restos. Uma parte já foi escavada, enquanto outra parte permanece intacta sobre a cidade atual e suas construções e a visita às escavações nos permite ver como de fato era a cidade, quase original, casa sobre casa, embaixo das edificações modernas. Além das construções mais conservadas, em Herculano podem ser vistos os desenhos e pinturas das paredes, bem guardados por séculos pelas cinzas do vulcão.

Sorrento: a cidade onde mora a felicidade

Se me perguntassem onde eu acho que a felicidade mor,a não teria dúvidas de responder que é em Sorrento. Sorrento é uma pequena cidade ao sul de Nápoles e que dá entrada à costa amalfitana e à conhecida Ilha de Capri. Não sei se é a vista, o calçadão, as lojas, a vida turística, os simpáticos habitantes, as ruas floridas ou o mar desfiladeiro abaixo, mas fato é que em Sorrento eu fui feliz - e posso d
izer o mesmo dos rostos que lá encontrei. Não se vai a Sorrento para ficar em Sorrento, mas para, a partir de lá, visitar outras cidades. Mas, voltando de seus respectivos destinos, os turistas lá se encontram no fim da tarde, nas poucas quadras de comércio que existem à beira do penhasco que leva ao mar. E ali se jantam deliciosos frutos do mar, peixes e massas, ou se toma um sorvete, sentado à calçada ou caminhando pelo calçadão em ritmo de vai e vem (um verdadeiro lugar para ver e ser visto). O hotel que ficamos em Sorrento era muito perto da agitação, o que fez o passeio ser ainda mais gostoso. E, de frente ao hotel Gardenia, estava a tratoria Ritrovare, de uma família local e chefiada pelo cheff de cozinha Francesco. Em apenas 4 mesas, os donos ajeitam todos os visitantes, compartilhando as mesas, os lugares e as conversas e oferecendo o que tem de mais fresco e disponível no balcão (quem quer lasanha de melanzana? e ravioli de ricota?). E foi lá que passamos as 3 noites em que ficamos na cidade até, no último dia, nos sentirmos parte da família do restaurante. Foi lá que comi a melhor massa de tutta la mia vita: penni com zucchini e camarões. Foi lá que o Chico se tornou o centro das atenções e comeu muita batata frita e delicioso pão italiano. Foi lá, em Sorrento, entre os calçadões, o desfiladeiro, o Ritrovare e o Gardenia que eu fui feliz. Outras dicas de Sorento: tomar sorvete na sorveteria que o papa já visitou (é maravilhoso!), comprar porcelanas típicas da região ou outros souvenirs (são bem mais baratos que nos demais destinos), caminhar pelas escadarias com destino ao mar e à estação de barcos para Capri

Do Luxo ao Mar: Ilha de Capri

Para mim, a Ilha de Capri sempre foi associada ao luxo e às colunas sociais (vide a ilha da revista caras), mas os inúmeros relatos de sua beleza indescritível me convenceram a visitar este paraíso nada perdido à beira da costa amalfitana. Chegamos à ilha de capri de barco, saídos de sorrento. Os barcos partem várias vezes ao dia e em menos de uma hora chega-se ao local. Por indicações equivocadas, achamos que não seria bom levar o carrinho de bebê, mas as ruas são tão asfaltadas como de fácil acesso (vale lembrar que dificilmente a coluna social desfilaria por ruas intransitáveis) e acabei comprando um carrinho lá mesmo para poder caminhar melhor. A entrada da ilha de capri é exultante. Desfiladeiro acima podemos vislumbrar as centenas de casas ocupadas, originalmente, por constantino, depois por cabras e seus pastores, em seguida por axel munthe, o escritor do lindo livro A ilha de san michele, que abandonou a medicina da alta classe de paris para ocupar aqueles morros, seus castelos abandonados e dedicar a vida a cuidar dos animais locais. É uma pena que essa linda história seja hoje ocupada por lojas da prada, victor hogo (e outras que eu nem sei mencionar) e os ricaços que, em compras, e numa lógica de "ver e ser visto" desconhecem por completo a história tão linda e antiga dessa ilha e seus habitantes. Mas entre as frestas das lojas de luxo, pode-se deslumbrar uma vista única, que demonstra o poder da natureza sobre qualquer rito capitalista.
Para mim, a visita à ilha valeu pelas caminhadas perdidas, entre vielas, cidade acima, cidade abaixo, rumo à história de axel munthe ou às vistas perdidas e não ocupadas pelos hotéis ou pontos de venda. vale pelo poder da natureza e pelas belezas que o sol, o mar e as pedras são capazes de construir sozinhos sem nenhuma interferência do homem.

Nas Estradas, Encostas e Entranhas: Costa Amalfitana

A Costa Amalfitana é um dos destinos mais procurados da Itália por suas belezas naturais, pelo clima favorável para os verões e pela badalação da época de férias. A região é considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, inclusive. Mas visitar a costa fora da alta estação também tem suas vantagens - embora para uma brasileira certamente curtir a praia no frio não seja a melhor escolha. A costa é formada por diversas cidadezinhas (chamadas de Paeses), a maioria sobre a encosta, ligadas por uma linda estrada que dá a visão de toda a costa entrecortada pelas escarpas. Como a estrada fica no alto e a costa e cheia de "entranhas", a cada nova curva tem-se uma nova e linda visão. E só percorrer essa estrada já vale todo o passeio!
Além disso, cada um dos paeses tem suas próprias belezas, com destaque especial para Positano, Amalfi e Vieste. Para fazer esse passeio, saímos cedo da nossa base em Sorrento e percorremos de carro a estrada, ao longo de todo o dia, parando nas cidades acima para visitar, comer ou tirar fotos. A estrada tem muitas curvas e pode não ser muito apropriado para um bebê (o meu reclamou por ficar tanto tempo dentro do carro). Além disso, as cidades, assim como a estrada, tem trechos de apenas uma faixa e, considerando a falta de noção dos motoristas da região (já comentada em outros posts), 'as vezes as ruas e estrada ficam paradas para alguém embarcar, desembarcar, estacionar, descer para comprar alguma coisa, etc. Enfim, o fluxo pode ser demorado e, dizem, no verão isso fica quase insuportável. Assim, uma boa estratégia é deixar o carro nos estacionamentos da entrada dos paeses e andar a pé por eles. Caso essa seja a opção, o risco é ter que andar demais, especialmente porque os paeses são nas montanhas, cheios de subidas e descidas. O carrinho de bebê foi imprescindível nesse caso, assim como a gentileza de meu pai que foi buscar o carro para nos pegar, depois de termos descido toda a cidade de Positano.
Outra dica para este passeio é andar um pouco mais e procurar descanso (e comida) nos paeses mais vazios, ao final da costa, onde o estacionamento e a locomoção ficam mais fáceis e as filas bem menores. Também vale muito a pena aproveitar as paradas que existem ao longo da estrada para tirar fotos. Em cada curva temos a impressão de estar em um novo lugar, todos de beleza incomparável. E, por fim, para conseguir curtir mais as belezas da estrada e da região sem grandes irritações, vale considerar uma visita fora da alta estação (mesmo que você acabe visitando a praia de gorrinho, casaco e luva, como foi no nosso caso).

Restos Gregos no Império Romano: Paestum

Paestum é uma cidade fundada em 600 a.c. pelos gregos em homenagem a Poseidon. Patrimônio histórico da humanidade, tem os três tempos considerados os mais preservados e completos da grécia antiga no mundo: Templo de Hera (540 a.C.), o Templo de Atena (500 a.C), o Templo de Poseidone, além de diversos edifícios gregos da época romana e de uma necrópolis. Conhecer ruínas de uma cidade grega muito preservadas em plena Itália é indescritível. Pode-se chegar em Paestum pelas auto-estradas ou pelas estradas vicinais, como a que continua da Costa Amalfitana. Fizemos este caminho e a estrada em si já valeu o passeio. Em poucos kilometros vemos uma geografia completamente diferente, com vastos campos, típicos da calábria: oliveiras, montanhas distantes, diversas plantações e regiões quase inabitadas. Ao chegar à cidade de Paestum somos rapidamente surpreendidos pela visão dos templos e suas colunas, tão discrepantes com o restante da paisagem da região.
Paestum era uma cidade habitada, onde havia casas, comércio e templos e pode-se andar por toda a cidade tropeçando em restos de uma antiga civilização. Além dos templos quase intactos, encontramos, em alguns cantos, muros ou construções mais inteiras.
Mas em outras partes da cidade há apenas grama com um ou outro tijolo, pouco aparentes, denunciando a vida que ali existiu há tanto tempo.
É um passeio curto, de pouco mais de uma hora, mas que revela uma emoção incrível de transitarmos entre outros restos, dissolvidos pelas guerras e pela peste, e que mostram que o que resta de uma civilização é apenas sua admiração a algum deus e o poder da natureza.

Da Idade da Pedra à Cidade de Pedra: Matera

No caminho entre Sorrento e Bari, atravessando a bota, fica a cidade de Matera, situada ao longo de montanhas de pedras. Segundo pesquisas, a região vem sendo habitada desde a era Paleolítica, quando os homens passaram a morar em buracos feitos nas rochas calcáreas das montanhas. Esses buracos, praticamente cavernas, viraram habitações ao longo dos milênios (sim, milênios!), até serem consideradas patrimônio da humanidade e incluídas nas rotas turísticas.
Essa região da cidade de pedras, chamada de Sassi, possui buracos habitados há mais de 9000 anos e que, posteriormente, também foram ocupadas pelos escravos albaneses e eslavos (durante o império romano), pelos pastores, agricultores e ortodoxos refugiados (durante a idade média) e pelos pobres da região (até os anos 50 do século passado). Até os anos 50, inclusive, a região era uma vergonha para a cidade e incentivavam-se construções que "tampassem" a vista da cidade de pedras.
Em Sassi diz-se que o chão de um é sempre o teto de outro e que, diferentemente das demais cidades que crescem de baixo para cima, aqui as cidades crescem de cima para baixo. E admirar a vista das montanhas comprovam esses ditos populares.
A visita à cidade de Matera pode durar longas horas, ou até dias, considerando que a região de Sassi é extensa e com grandes distâncias. Além disso, há a cidade à vista e a cidade subterrânea, marcada pelas cisternas e pelas cavernas que foram, ao longo dos anos, cobertas por outras edificações. Calcula-se, inclusive, que há mais de 1400 pequenas igrejas de cavernas na cidade subterrânea que serviram de refúgio para os ortodoxos perseguidos pelos muçulmanos.
Seja qual for a duração e abrangência da visita, apenas a ida a Matera já vale a viagem. Não tínhamos muito tempo para passar na cidade, especialmente por viajarmos com um bebê sobre as pedras por onde carrinhos não passam. Assim, decidimos fazer um passeio motorizado. Pascoal é um senhor da região que tem duas grandes riquezas: uma vespa (adaptada a um carrinho e um toldo) e um cachorro que o segue aonde quer que vá. Passa o dia em uma das praças de Sassi esperando visitantes que queiram conhecer a cidade em cima de sua motoca. E lá subimos, em 3 pessoas e um bebê, para uma visita rápida, de 30 minutos (normalmente os passeios mais completos duram de 3 a 6 horas). Em cima da motoca adaptada, Pascoal nos levou aos principais pontos de Sassi, explicando cada detalhe da cidade visível e da escondida, enquanto seu cachorro nos perseguia pelas ruas de pedra.
Se o passeio pela cidade de pedras já é indescritível, faze-lo com Pascoal, sua moto e seu cachorro foi ainda mais especial. Com ele descobrimos pequenas janelas que saem, repentinamente, do chão.
Descobrimos as muitas camadas subterrâneas escondidas pela cidade. Descobrimos as igrejas modernas que foram construídas em cima dos templos da antiguidade, se aproveitando de seu espaço, pinturas e até objetos. E, por fim, foi um passeio delicioso para meu pequeno, que se divertiu de andar na motoca sendo perseguido por um cachorro. Em Sassi vale também a pena entrar em uma das cavernas antigas, que hoje são casas ou pontos turísticos. A que entramos é habitada há 2 mil anos e hoje foi adaptada para mostrar como era a vida de um pastor que ali residia.
Em Sassi temos a dimensão mais profunda da história da humanidade. Adentramos em uma caverna para encontrar, em um mesmo local, pinturas rupestres, resquícios do império romano, da criação do cristianismo, da idade média e da idade moderna e contemporânea. E, de repente, nossa história se concretiza e ganha um ar de realidade por entre as pedras e cavernas.